[CENA] 02 ― Isolamento natural

As árvores da floresta se estendem aos céus em sua magnifica variedade de tipos, tamanhos, cores e idades. Longos troncos cobertos de musgo viscoso ou plantas rasteiras que envolvem o chão e escondem os segredos de uma terra avermelhada e dourada. Tocas espalhadas pelas saliências do solo escondem famílias inteiras de animais variados e, ao longe, o som das aves que cantam entre as folhagens altas em seus ninhos protegidos. O clima úmido e fresco mantém ali a natureza sempre viva.

Ao entardecer meus pés me trazem de volta para a minha velha cabana, a barba por crescer denuncia o desleixo com a aparência dos dias que passam sem que eu tenha qualquer contato humano. Nas costas nuas a rede trazendo a carcaça de um animal abatido de porte pequeno, o jantar, e, mesmo com tudo demonstrando o contrário, os pés são limpos antes de entrar na casa de madeira envelhecida.

O interior é quente, uma pequena lâmpada de óleo em cima da mesa e um fogão antigo a um canto onde deixo a caça do dia. O olhar percorre a casa, da cama bagunçada e o sem fim de livros que trouxera comigo para o isolamento de meses para um canto próximo a janela. O sorriso triste se abre quando os olhos reconhecem a velha fotografia. O isolamento trouxe o que o coração velho precisava; a paz após o fim. Uma lágrima fina escorre dos olhos e percorre o rosto, perdendo-se dentro da barba grossa. O silêncio é o único amigo ali e o único remédio é esperar.

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