[CENA] 13 ― Continue lendo

Você está em sua poltrona. Ela é confortável. É quente. O livro em suas mãos parece tão grande quanto à própria poltrona, mas para sua idade tudo parece maior do que deveria ser.

A leitura é difícil, você não conhece ainda muitas palavras, mas se esforça para conhecê-las. Promessas de um futuro importante são dadas àqueles que leem. Você anseia por um futuro importante. Anseia por importância. Anseia por algo que não sabe ainda como chegará, nem quando chegará, mas anseia.

Ruídos.

O som de arranhar passa quase imperceptível a sua audição. Seus olhos se voltam para trás: o armário. Aquele velho armário de madeira. Tão mais velho do que você. Mais velho do que tudo, pelo que sua mente pode imaginar. As maçanetas também feitas de madeira tinham um tom mais escuro do marrom. O detalhamento fraco e gasto denunciava o uso excessivo através dos anos.

Você se volta para as páginas amareladas do livro antigo. Sua mente busca afastar o som anterior, sem muito sucesso.

Mais ruídos.

O som de arranhar agora é acompanhado pelo som de arrastar. O cheiro de pelo molhado. Agitação. Um arrepio sobe por sua espinha, eriçando os cabelos de sua nuca. Risadas. Risadas agudas e o cheiro putrefato preenchem a sala.

“Continue lendo”.

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