[CENA] 19 – Trem das sete

Eram quase sete horas.

E o sol estava encoberto pela neblina.

Olhei para os lados, nada. Só as mesmas pessoas que pegariam o trem. Meu coração estava apertado. Não estava indo embora, mas não voltaria tão cedo. Tinha coisas para resolver longe da cidade.

O mundo era preto-e-branco. A fumaça da máquina de ferro se misturava com a fumaça dos cigarros acesos. Pessoas de todos os tipos, mas nenhuma delas parecia feliz. Estavam todos de cara amarrada. Pensamentos confusos. Pareciam ter abandonado seus sonhos há muito tempo.

Vento forte.

Meu cabelo bagunçou todo. Amarrei.

A passagem estava certa?

Estava.

Ela estava atrasada.

Disse que me levaria até a estação… Ainda não chegou. Meu peito dói.

Onde ela está?

O maquinista aciona a máquina. Ela cospe uma forte nuvem de fumaça acinzentada. Eu tomo minha passagem numa mão, em outra a mochila. Suspiro. Entro no trem.

Um grito.

Será?

Volto para a porta.

Lá está ela.

Meu coração se anima.

O que ela está trazendo? Uma mala?

“Você não vai sem mim”, ela diz.

Eu sorrio.

Ela me beija.

Assim partimos no trem das sete.

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