[CENA] 24 – Lugares

A velha mochila de meu pai. Cheia de remendos em seu interior e lembranças. Desde que eu me lembro, ele sempre esteve com ela. Um sem fim de histórias que esse simples objeto poderia contar se tivesse boca para falar ou mãos para escrever. O couro fosco está cada vez mais gasto, pelo uso e desuso.

Uma lágrima fina escorre pelo meu rosto. Junto dela um sorriso.

Agora é minha vez, não é?

Eu aperto a mochila contra o peito, em um abraço que nunca será dado a mais ninguém. Tanta coisa aconteceu, tanta coisa deixou de acontecer… Que diferença faz? O mundo não para por ninguém, não deveríamos nos prender assim ao passado, mas dói. Dói pensar que as coisas não são mais como antes.

O caderno, o relógio, uma edição antiga do Pequeno Príncipe, umas moedas e algumas notas perdidas, uma corda e algumas mudas de roupa. Não preciso de mais do que isso. Coloco tudo na bolsa.

Seco o rosto com as costas da mão.

Tantos lugares. Essa mochila já viu tantos lugares que eu ainda não descobri. Alguns que jamais verei. O mundo não para. O mundo muda. Tudo muda. Mas ninguém parece perceber… As pessoas não saem para encontrar um lugar, elas saem porque sabem que terão um lugar para onde voltar.

E para mim só restam lugares.

Como eu as invejo…

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