[MUSAS] 10 – Máscaras

“Um escritor de terror busca novas ideias para seu próximo livro, andando pelas ruas imundas da cidade atrás de lendas e inspiração ele conhece uma vocalista rebelde com quem não se entende, mas o acaso e as atitudes dela acaba engatando a amizade deles.
Uma amizade conturbada pela vida e atrapalhada pelas pessoas. Pode o amor e a arte resistirem ao mundo?”


Se não ainda não leu os capítulos anteriores, acompanhe nossa história:

A história também está disponível no wattpad, já em seu décimo primeiro capítulo!


10

A vida é composta de muitas faces. Todos os dias levantamos, nos vestimos e, antes de sair, colocamos nossas máscaras. Escondemos quem somos para encontrar outras pessoas. Dia ou noite, trabalho ou lazer. Nossas muitas faces envolvem máscaras. Buscando aceitação, manter seu status na sociedade, as pessoas se ocultam umas das outras. Mascaram-se em prol de vantagens.

Verdade ou não, a vida é feita de um longo teatro de agrados e desafetos.

Allan se mascarou naquela noite atrás de informações. Em sua procura por inspiração, ele se vestiu como um personagem — uma persona construída sobre ele — para encontrar-se com Néfila, que também se mascarava para cantar. Que, em suas teias, dançava nos palcos da vida. O editor de Allan, que sempre sorria quando o via, também se mascarava. A cada dia que passava, cada dia sem uma nova história, era perceptível o quanto essa fantasia se rasgava. Seu sorriso entortava, cansado de fingir. Cansado de ouvir desculpas.

O mundo é cheio de máscaras.

Allan, finalmente, percebia isso. Ele entendia as máscaras das pessoas agora. O ano logo terminaria. O dia após o Natal passou em silêncio completo. Ele não voltou a se deitar com Rebecca. Não que ele tivesse alguma escolha nisso… Ela desaparecera após a festa de natal. As pessoas o olhavam com pena, parado à porta do salão, e sabiam o que tinha acontecido. Todos sabiam. Todos… Até mesmo ele.

Rebecca fora embora com o figurão com quem conversava.

Seus pensamentos enchiam o apartamento, amontoando-se em sujeira e fedor, as palavras de Tarântula dançavam em seus ouvidos. Michelle precisava dele. Ela precisava dele? Ele precisava dela? O escritor precisava falar com a cantora, mas o que era necessário dizer? E como passaria pelo baterista?

Ele rascunhou algumas ideias no papel, pensando em como as coisas poderiam acontecer, seus personagens pareciam ter mais sorte do que ele. Sabiam de coisas que ele não sabia. Conheciam, eram, faziam… Ele amassou as folhas, com suas palavras infrutíferas, e largou o bloco de notas. A tela do celular se acendeu por um instante. Uma mensagem.

“Se você for… Venha no começo da noite”.

Tarântula. Ele jogou o telefone pro lado, na cama, afundou o rosto nas mãos. Ele respirou fundo. O que ele tinha que fazer?!

Um ranger o despertou dos pensamentos confusos. A porta se abria e deixava alguém passar. O cheiro da fumaça entrou junto com a pessoa. Ele olhou e seu rosto se torceu em raiva, era ela.

Rebecca.

— O que você quer aqui?! — ele se levantou, as mãos se fechando.

— Vim buscar meus desenhos — ela respondeu, seu rosto estava indecifrável. — Não vou mais ficar, Allan. Eu…

— Eu sei — ele a interrompeu — Você não tem desenho algum aqui. Eu sei, eu já olhei. Você nunca desenhou nada aqui.

Silêncio.

— O que você quer aqui?

— Eu queria que você soubesse — ela sorria — Queria ter certeza que soubesse.

— Que você é só uma interesseira? Uma maldita interesseira que transa com qualquer um que possa te levar pra algum lugar?!

— Eu não sou assim — ela responde — Eu só faço o que é preciso para chegar onde quero chegar.

— Vá embora.

Rebecca riu.

— E o que você vai fazer? Vai voltar a correr atrás daquela cantorazinha? Se enxerga, Allan, até ela sabe que você não é nada de mais. Você teve sorte e só isso.

Suas palavras não eram de momento, ela recitava cada uma delas, nada era improviso. Nada era impensado. Allan sentia cada uma delas fazer seu sangue ferver, Rebecca parecia esperar essa reação. Ela se agarrava a bolsa enquanto, devagar, fazia seus passos para fora do apartamento. A qualquer instante o autor poderia explodir, ela despia-se de sua máscara. Seu sorriso aumentou pouco antes de sair.

— Tiago tinha razão quando me pediu esse favor, você é patético — ela agarrou a maçaneta da porta e, antes de sumir por completo sibilou — Ah, e obrigada por me levar àquela festa. Foi muito bom encontrar aquele cara, ele sim sabe o que faz e também como faz…

Allan urrou. Ele avançou, mas a pintora já tinha ido embora. Corria pelas escadas, em direção ao mundo lá fora. O escritor bufava. O sangue queimava em suas veias. Aquilo tinha sido o estopim. Não tinha mais dúvidas, ele sabia agora o que tinha que fazer.

Aquele nome.

Aquele cara.

Era hora de um acerto de contas. Ele tinha que resolver essa situação de uma vez. Aquela noite seria a noite. Fosse pra bem ou para mal, acabaria aquela noite.


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